20 de agosto de 2016

Mensagem de um Amigo Recém-Desencarnado


Os fatos desta pequena história são reais e aconteceram em parte aqui no Vale do Amanhecer.
Tia Neiva, orientada por Mãe Yara e outros Mentores da Doutrina do Amanhecer a relatou aos Médiuns em sua aula dominical. Muitos detalhes foram eliminados deste relato, pois só seriam compreendidos por Médiuns desenvolvidos.
Na sua essência a história desse homem que passou uns dias em tratamento no Vale se prende aos fatores básicos do desencarne ou morte física e o que acontece logo em seguida.
Essa é a maior preocupação do homem em todos os tempos: saber o que lhe acontece depois da morte.
Essa preocupação se traduz no medo da morte e é parte integrante da alma humana. Se não for bem interpretada ela leva o homem a erros funestos, como tem acontecido em todos os tempos. Na verdade o homem se mata um pouco todos os dias de tanto se preocupar com a morte.
Essa pequena história de um homem desencarnado, que pouco antes passara pelo Vale do Amanhecer, é uma lição viva que muito poderá nos ajudar.
Podemos aprender com ela que:A preocupação com a morte só é válida se ela nos ajudar a viver bem a vida;Morre melhor e tira melhor proveito da vida, quem tiver assistência espiritual – considerando que “assistência espiritual” não é somente aquela obtida no Espiritismo;O Espírito se arrepende, na outra vida, mais das coisas boas que deixou de fazer do que do mal que fez;As oportunidades não acabam com a morte física: o “eu” continua a existir, as manifestações anímicas são reais e o mundo é o mesmo em outro Plano.O mundo físico, a Terra, torna-se perceptível em suas outras dimensões, outra natureza, outro Campo Vibracional.Conclui-se então que é válido um velho axioma da psicologia: “O Mundo não é como é, mas sim como nós o vemos…”
Domingo, 3 horas da tarde.
O Templo do Amanhecer está lotado de Médiuns que vieram para o Trabalho Oficial. Lá fora o público espera impaciente o início dos trabalhos. Tia Neiva senta-se diante do microfone e o silêncio é absoluto. Ela começa.
Salve Deus!
Um dia destes eu estava distraída cuidando de meus afazeres, quando percebi a chegada de um amigo, de uma pessoa que passou aqui pelo Vale e que teve apenas dois ou três contatos comigo.
Oh, Tia! que bom lhe ver depois de tanto tempo! Tia, só agora consigo lhe ouvir. Passei muitos dias sentindo a sua presença, o seu amor, porém sem conseguir lhe ver! Porque, Tia?
Porque você está em um plano e eu estou em outro.
Mas o seu plano não é Universal, Tia? A senhora não é clarividente? Os clarividentes não penetram até a terceira dimensão?
Sim meu filho, a minha transvisão ultrapassa realmente as barreiras, mesmo as habitualmente consideradas intransponíveis.
Tia querida, você está me ouvindo, e isto é tudo. Como é bom lhe ver e lhe ouvir.
A senhora sabe, não sabe? Tudo que aconteceu comigo?
Não meu filho, não sei de tudo. Muitas vezes participo de uma situação, vou em socorro dos enfermos e, quando volto ao corpo não desperto, a não ser em casos que exigem seguidamente minha presença. O que aconteceu com você é um caso muito comum. Graças a Deus, em seu caso não houve necessidade de me despertar, despertar a minha mente quando voltei ao corpo.
Agora preciso desabafar querida Tia!
Sim, é necessário mesmo que você desabafe.
Tia preciso lhe contar toda a minha trajetória.
Eu sei meu filho, vai lhe fazer muito bem. Tudo está na mente dos Médiuns Doutrinadores e dos Aparás (1). Salve Deus, meu filho! Pode começar. Tire os últimos resíduos da Terra, e que neste instante seja levado até os Encantados e possa entregar aos Iniciados o Mantra da sua vida!
Salve Deus Tia, Foi tudo tão maravilhoso…
Eu estava com aquele problema cardíaco, que a senhora sabia quando fui lhe consultar. Mal conseguia ficar em pé, mantinha-me sempre apoiado no ombro de Dulce, procurando me equilibrar das tonteiras e pontadas dolorosas na coluna.
A senhora para me aliviar me disse que eu não tinha nada de grave, que era apenas um problema espiritual, muita mediunidade incubada e por último mandou-me falar com Pai Jacó.
Ele me disse palavras de conforto, belas palavras, e terminou por dizer que meu caso era de internamento no hospital.
Fiquei três dias na pensão do Edivaldo, de quarta à noite até sábado.
No sábado fui procurar novamente Pai Jacó e ele disse que meu problema era espiritual. Também me disse que nos três dias que havia passado no Vale, a minha freqüência ao Templo eu havia me libertado de três Elítrios (2).
Realmente, eu já caminhava sozinho, vinha buscar minha água fluídica e subia de volta a pensão.
Recebi muito carinho do Alencar e tive muitas palestras com o Sr. Eurides. Ele me contou como veio parar aqui no Vale e também falou-me da dedicação que tinha à senhora.
A única coisa que me preocupava e que eu estranhei muito, foi Pai Jacó me mandar de volta ao hospital, uma vez que eu me sentia muito bem, como nunca estivera.
Dulce, minha mulher e companheira de uma vida, não estava satisfeita, pois sentia-se desconfiada daquele meu estado.
Nos dias que permaneci aqui no Vale, havia se aberto uma nova perspectiva em minha vida. Comecei a me preocupar com as coisas que não havia feito, com as oportunidades que tivera nas mãos, de fazer o bem e que deixara de aproveitar. Graças a Deus, nunca fiz mal a ninguém, pelo menos conscientemente, nunca fiz mal a ninguém.
Sentia que era outro homem, com novas energias e com as forças do bem brotando em meu coração. Cheguei até a pensar na morte como um alívio!
Comecei a pensar no fato de que eu e Dulce, nunca tivéramos um filho e não tivéramos coragem de adotar uma criança, que, aliás, era o grande desejo de Dulce!
Lembrei-me então de uma mulatinha, uma mulher que havia se prostituído e que fizera tudo para me entregar uma filhinha e eu não havia aceitado. Lembro-me que Dulce chorou muito devido à minha intransigência.
Mesmo assim, desde que adoeci, ela dedicou-se inteiramente a mim.
Eu, porém, sentia que ela abrigava certa mágoa, pois era apegada à sua família e sempre quis voltar para o Rio. Isso teria sido possível, pois eu era um Sargento reformado e poderia ir para onde quisesse.
Mas, nessa altura eu senti que minha missão com a família de Dulce já havia terminado. Depois da permanência no Vale, eu me acostumara a pensar que com a minha morte, Dulce voltaria para o seio da família e tudo ficaria bem.
Nesses dias, também comecei a perceber o meu egoísmo e, com isso tornei-me melhor para ela. Eu ouvira as palavras do Pai Jacó sem atinar muito com a razão de ele me mandar para o hospital, uma vez que eu me sentia tão bem.
Saí do Vale no domingo e fui para o meu apartamento no Plano Piloto.
Foi horrível, senti-me mal e só conseguia alívio quando tomava água fluidificada de Pai Seta Branca, ou quando sentia a presença de Pai Jacó.
De segunda para terça-feira, eu já estava de novo no Hospital das Forças Armadas.
Ah, Tia! que beleza! Foi tudo tão fácil…
Senti uma forte dor na nuca, que ia se acentuando e se estendendo para o peito. Depois eu fui ficando leve, leve, leve e comecei a me preocupar em ficar deitado fazendo muito esforço para conseguir.
Pensei comigo: estou no Vale do Amanhecer. Comecei a mentalizar aquela confusão. Quanto mais mentalizava mais leve me sentia. De repente fui despertado pela voz de Dulce chamando a enfermeira, estava aflita e parecia dizer: ele está morrendo, ele está morrendo!
Não me lembro por quanto tempo ouvi essas palavras de desespero, mas comecei a ter medo e cai em transe.
A partir daí entrei, ou melhor, a minha mente entro em nível do Plano Etérico, onde fui para ajustar contas com meu corpo.
Eu, que até então estava leve, muito leve, comecei a sentir novamente peso e calor dos fluídos maléficos do meu corpo. Comecei então a me lembrar de Pai Jacó e de suas palavras. O que estaria acontecendo comigo?
Vi-me andando do Templo para a pensão do Edivaldo, com uma garrafa de água fluidificada na mão, enquanto lembrava das palavras de Pai Jacó: você já perdeu muito tempo. Vá para o hospital e depois venha para fazer a caridade.
Meu pensamento voltou-se para o jovem Gomes, aparelho de Pai Jacó e que vivia fazendo a maior caridade. Entretanto eu, com 58 anos, nada fizera.
Tudo continuava suave, como se nada de mais houvesse acontecido. Aos poucos as visões foram se apagando e por mais que me esforçasse não via nem sentia nada, nem mesmo dores, que me dessem algum sinal do que estava acontecendo. Era como se eu estivesse num avião parado no espaço.
Não tenho noção de quanto tempo durou esta situação. Logo me vi em outro ambiente, numa rica e hospitaleira mansão, porém, sozinho, inteiramente só.
Despertou minha atenção, uma neblina espessa e a pouca distância de mim, que refletia a coloração lilás do ambiente. Era uma luz lilás que variava de intensidade, conforme a minha mente. Perdi a noção de tempo.
De repente alguém me chamou por um nome que não era o meu, porém, eu sabia que era eu quem estava sendo chamado. Um nome muito diferente do meu.
Começou então a acontecer uma série de fenômenos. Um homem falava (pelo tom da voz era masculina) e ao som dessa voz a névoa ia se dissipando, clareando e passando de lilás escuro para mais claro.
O som de belos sermões Mântricos foi segurando a minha mente no encanto daquelas palavras. Senti estremecer o meu corpo e sabia que isso resultava de coisas que havia feito.
Às vezes pensava apenas estar sonhando, um sonho bom. Vez ou outra voltava à realidade. Ora sentia saudades, ora sentia a presença de vícios antigos. A paisagem mudava de acordo com os meus pensamentos.
Aos poucos fui me conscientizando dos fatos. O sermão continuava com palavras cujos significados eu nunca esqueceria. Dizia a voz (que nessa altura parecia dirigir-se a mais pessoas além de mim): “Homens endurecidos, volvam-se para dentro dos seus corações, examinem os seus íntimos e vejam o que podem fazer cada um consigo mesmo. Permanecerão sete dias dentro das suas próprias consciências e não terão desejos. Depois desse prazo voltarão com suas mentes para a Terra e de lá partirão para onde lhes aprouver”.
Fiz um esforço muito grande para perguntar onde eu estava e saber qual era a minha condição, mas minha voz não saía.
A resposta, porém veio: “Você terá que permanecer aqui por noventa e seis horas ainda. Olhe para si mesmo que entenderá melhor. O homem vive na Terra na volúpia dos seus dias, e sua principal preocupação, sendo a segurança material, se esquece da sua verdadeira missão, do que foi realmente fazer na Terra. Na verdade ele vem para restituir o que destruiu. O homem não tem força para atingir os mundos superiores, enquanto sua mente estiver sob o peso da destruição que causou”.
De fato Tia tentei me levantar da Pedra Branca onde estava (agora eu sei), mas tenho certeza que nem o Super Homem conseguiria.
Foi então que me passou pela mente, a minha incapacidade de concentração daqueles dias. Senti imensa frustração pelo que havia feito. É interessante Tia, que lembrei mais do que havia deixado de fazer do que havia feito. Quantas pessoas que havia deixado de ajudar e que havia desprezado…
Passei sete dias em Pedra Branca dentro de mim mesmo. Durante todo o tempo me lembrava de Pai Jacó e de seu jovem Médium, e tinha a impressão de que o bom Preto Velho iria chegar ali. Mas nada, durante esses sete dias não vi nem senti presença alguma. Somente recebia respostas ao que pensava.
Lembrei-me muito da minha pobre Dulce. Mas tudo eram lembranças longínquas. A minha preocupação maior era com as coisas que não fizera, as oportunidades que perdera. Lembrei-me então de José, um antigo subordinado meu que precisava muito de mim e eu recusara ajudar.
Por fim chegou a hora de sair dali. Como por encanto tudo se modificou. De repente, me achei no saguão de uma estação rodoviária, iluminada pelo mesmo clarão lilás. Pessoas saiam para os destinos mais diversos, porém desconhecidos.
Subitamente ouvi uma voz de comando que disse imperativa: “Atenção! Destino para a Terra! Equilibrem-se para a viagem!”.
Meu pensamento voou para o Vale do Amanhecer! A voz de comando continuava o aviso.
Cheguei, era manhã e parecia que havia chovido, não tenho muita certeza Tia. Enxergava com dificuldade e as coisas mudavam conforme meu pensamento. Mudavam, porém nunca saiam daquele lilás embaçado, mais claro ou mais escuro. Sentia uma sensação de saudades e pelejava para saber quem eu era realmente. Tenho a impressão de que se alguém perguntasse o meu nome, eu passaria um vexame, pois não sabia.
Nisso eu ouvi tocar a sirene do Templo do Amanhecer e me lembrei do Edivaldo. Fui até a pensão dele, porém não conseguia enxergar direito. Ele passou perto de mim e eu segurei o braço dele. Balbuciei alguma coisa, mas ele não me deu atenção. Ouvi novamente a sirene do Templo e fui para lá. Entrei e parei, justamente perto da Mesa de Doutrina. Vi então muitas luzes que logo desapareceram, ficando tudo novamente lilás. Procurei dentre os Médiuns, mas não vi Pai Jacó.
Antes que pudesse pensar melhor, senti um forte empurrão e fui atirado para um aparelho, um Médium masculino. Comecei então a chorar com todas as minhas forças e dizia: Meu Deus! Onde estou? Para onde irei? Tais perguntas saiam da minha mente angustiada e ao mesmo tempo eu me irritava. Dei um grito e ouvi a voz de um Doutrinador me dizendo: Que tem você, meu irmão? Calma, esse corpo em que você está incorporado não é seu. Comporte-se, tenha calma!
Senti uma vergonha muito grande e voltei a chorar. O Doutrinador continuou: Quando você pertencia a este mundo talvez tenha perdido muitas oportunidades. Agora você está num corpo emprestado e procure aproveitar o melhor desta Doutrina!
Pensei comigo: Pai Jacó me proteja pelo amor de Deus!
Então aconteceu um fenômeno: ouvia a voz de Pai Jacó que dizia: Filho, você está com Deus. Se você aceitar a Doutrina desses Médiuns, essa grande oportunidade, você partirá para outros mundos.
Suas palavras caíram sobre mim como o orvalho cai sobre a flor. Pensei: Pai Jacó, meu Paizinho, não me desampare!
Enquanto me preparava para a partida o Médium se contraía devido aos fluídos pesados de meu desencarne recente, fato que hoje eu entendo tão bem!
De repente me desprendi de meus benfeitores e passei por um processo de verdadeira desintegração. Fui jogado para uma Estufa (3) que estava em ligação com o Templo do Amanhecer e, perdi a noção de tempo e espaço.
Só então me convenci que havia morrido!
Comecei a ter saudades de Dulce e a me preocupar. Não sei quanto tempo durou essa situação. Fui internado num hospital e entrei em conflito. Ficava maravilhado com tudo que via, porém sentia uma angústia terrível. Sentia insatisfação, a falta de algo, havia alguma coisa que deixara de fazer.
Julguei que isso era devido à falta de Dulce e pedi ao meu Mentor (4) que me levasse até ela.
Ele me atendeu, porém isso de nada adiantou, pois continuei a me sentir inútil.
Comecei a me lembrar do Cabo José e da criança que deixara de adotar. Pedi então ao meu Mentor que me desse uma nova Missão, porque aquela eu havia perdido. Queria voltar imediatamente!
De repente, achei-me frente a frente com o Cabo José. Ele virou o rosto indiferente e se pôs a caminhar. Corri atrás dele chamando-o pelo nome, porém ele continuou a virar o rosto e evitar-me. Por fim consegui detê-lo e olhando-o de frente eu disse: Cabo José, não sabia que havia morrido também!
Ele virou-se com um olhar severo e respondeu exaltado: Como não sabia Sargento? Se foi o senhor que causou a minha morte negando-me aquela dispensa? Como não sabia? Eu lhe havia dito que estava com pneumonia e precisava de internamento. E que fez o senhor? Virou as costas! E pior ainda, mandou que eu continuasse em serviço! Não agüentei e tive uma hemoptise que me derrubou ali mesmo na caserna!
Meu Deus! Exclamei horrorizado diante do meu próprio procedimento, e atirei-me de joelhos diante do Cabo José pedindo perdão.
Oh Tia Neiva, foi horrível! Fiquei desesperado. Então o Cabo José virou-me as costas e sem mais palavras desapareceu numa fila enorme.
Meu Deus, Tia Neiva! Eu não fora malvado, porém fora muito pior, fora desumano! Não existia amor no meu coração.
É por isso que estou sofrendo angústias e frustrações da missão perdida.
Já fui ao Ministro pedir uma oportunidade para voltar à Terra, reencarnar, mas isso foi mais um vexame que tive que passar. Os Mentores disseram apenas que estava para ser resolvido o que me competiria fazer.
E assim Tia, aqui estou no Canal Vermelho (5), aguardando novo destino! Salve Deus Tia! Venha sempre me ver!
Com carinho,
A Mãe em Cristo.
Tia Neiva

18 de agosto de 2016

A História de Manoel Truncado


Há uns dez anos atrás, vivia em uma cidade de Goiás, bem próxima da Capital do Estado um cidadão chamado Manoel Truncado.
Ele era casado com uma mulher pacata e jovem chamada Maria.
O casal tinha três filhos: José o caçula, Marília e Josefa, duas mocinhas.
Manoel Truncado estava com mais de 40 anos e havia lutado muito para sobreviver com sua família. Seu pai fora um fazendeiro no interior de Goiás e Manoel crescera na dura vida de peão. Apesar das terras serem boas, o pai de Manoel Truncado nunca soubera tirar melhor proveito delas e com isso a vida para eles sempre fora de luta e sofrimentos.
Um dia o pai de Manoel acabou por perder a fazenda e eles tiveram que se mudar para aquela cidade. Os velhos logo morreram e Manoel teve que se ajustar a uma vida para a qual não fora preparado. Trabalhou aqui e ali mas não conseguiu se firmar em lugar algum.
Um dia ele conheceu Maria, uma jovem bonita e simples que trabalhava ara ajudar os pais. Os dois se amaram e logo se casaram sem muitos planos para o futuro. As pessoas acostumadas com a pobreza não olham muito à frente e resolvem seus problemas com certa facilidade. Assim fizeram Manoel e Maria e o casal logo ganhou uma filhinha.
No primeiro ano de casado Manoel procurou se firmar no trabalho árduo de carroceiro. O casal morava numa casinha construída no fundo do terreno, deixando a frente toda livre. Manoel mantinha uma cocheira onde guardava a carroça e seus dois animais. Nas tardes quentes e de vento parado, o cheiro do estrume invadia a pequena residência, mas eles já estavam tão acostumados que nem o sentiam. Manoel Truncado gostava de acariciar o corpinho tenro de Josefa, deitada numa bacia forrada de panos.
Depois vieram Marília e por último José. A vida ficou tão apertada como a casinha em que moravam. Manoel começou a freqüentar com mais assiduidade o botequim da beira da estrada e a descuidar de seus negócios.
Logo começou a se manifestar nele um gênio arrogante e agressivo, que atemorizava os vizinhos e deixava as crianças com os olhos arregalados de medo.
Enquanto isso, Maria sempre quieta e acostumada ao trabalho duro, se resignava lavando roupa para ganhar algum dinheiro.
Manoel começou a se ausentar de casa e chegava a passar noites fora. Nos dias que se seguiam essas ausências, ele costumava chegar na carroça com os cavalos meio estropiados e os largava no pátio. Resmungava qualquer coisa e se deitava em pleno dia de roupa e tudo.
Maria desatrelava os cavalos com auxílio de José e das meninas e, a casa ficava quieta ouvindo-se apenas os roncos surdos de Manoel. Quem mais sofria com isso era o pequeno José. Ele já estava no primeiro ano do grupo escolar e sua inteligência viva, procurava explicações das coisas que a escola não lhe ensinava. No princípio Manoel procurava ajuda-lo em suas lições e Zezinho adorava fazer perguntas. Mas, depois que Manoel começou a beber e se ausentar, ele ficava horas e horas manuseando seus cadernos, na espera que Manoel o ajudasse.
E assim a situação foi piorando a ponto de se tornar insustentável. Começou a faltar a comida e as discussões violentas se processavam, sem mais nem menos. Maria que habitualmente mal tinha tempo de chegar até a cerca da casa para falar com a vizinha, começou a sair em busca de auxílio. As crianças ficavam em casa e deixaram a escola.
Maria acostumada a viver sempre na vida dura de casa, começou a se embaraçar na vida fora de casa. Fez as primeiras dívidas e das dívidas passou aos favores ilícitos. Em pouco tempo se separou de Manoel Truncado e se prostituiu por completo. Um dia Manoel Truncado descobriu que estava só com seus cavalos estropiados. Maria o abandonara sem deixar endereço, levando consigo as crianças.
No princípio Manoel pouco se importou e, juntando o pouco que restava de sua vida material se lançou nas aventuras baixas da periferia da cidade, até que uma ocasião saudoso da família, decidiu sair a sua procura.
Sua busca foi infrutífera, até que ele encontrou a morte num desses tristes episódios que acontecem na calada da noite. Nos seus últimos tempos na Terra, ele começara a atribuir toda sua desdita à esposa que o abandonara.
Seus sete dias na Pedra Branca foram de intensa agonia. Ele não conseguiu dominar seus desejos de vingança, fomentados pela sua mente desvairada.
Ao se ver livre encaminhou-se como relâmpago em direção à família.
Os Mentores Espirituais ficaram temerosos do que podia acontecer à já tão sofrida família e o desviaram de rumo. Cheio de rancor e agressividade, Manoel Truncado acabou por ser atraído pelos Bandidos do Espaço (1) e foi vendido a uma Falange de um Terreiro (2).
Essa Falange pertencia ao reino do Exú Tranca Rua, e Manoel Truncado passou a sofrer nas garras dos Exús tarimbados do Terreiro. Ele agora era um prisioneiro da Lei Negra.
A Lei Negra é uma espécie de máfia do Mundo Invisível e como sua similar na Terra física, ela escraviza seus membros, quase sem possibilidades de libertação.
Suas Falanges são alimentadas e crescem a custa dos Espíritos nômades e sem protetores. E isso acontece por opção do próprio Espírito com seu livre arbítrio.
Sempre que um Espírito termina seu estágio na Pedra Branca, onde ele tem a oportunidade de conhecer a verdade sobre si mesmo, seus Mentores dão-lhe toda a assistência e lhe mostram o caminho. Mas a decisão é sua e a chance permanece até o último instante. Se ele toma a decisão errada acaba por se tornar vítima da Lei Negra.
Existem uns Espíritos no submundo invisível que se chamam Exús Caçadores (3). Eles ficam a espreita e aguardam as decisões dos Espíritos recém desencarnados. Assim que os Mentores desistem eles entram em ação.
Aproximam-se dos Espíritos, seduzem e os levam às suas Cavernas (4). Lá eles são submetidos a todas as sevícias e são treinados nos costumes, até se tornarem Exús.
Manoel Truncado conheceu então o que era realmente sofrer.
Os anos na Terra foram se passando e ele foi adquirindo tarimba. Seu gênio agressivo o ajudou de tal maneira que ele logo começou a se destacar em meio às tenebrosas tarefas. Em pouco tempo ele adquiriu o direito de se chamar Exú Tranca Rua, nome do titular da Falange e passou a ser temido pelos mais ferozes Espíritos.
Aos poucos ele foi formando um grupo de adeptos e estabeleceu seu reino. Com sua esperteza ele fez um convênio com o Exú Tenório. Esse Espírito é um especialista em hipnose magnética, e isso lhe dá uma força terrível no submundo etérico. A hipnose se presta muito nas macumbas e o novo Exú Tranca Rua, ex-Manoel Truncado, se aproveitou disso.
Estávamos então em 1959 e um fato inteiramente oposto aconteceu nas imediações da Caverna de Tranca Rua. Nessa data mudaram para o local chamado Serra do Ouro, o grupo de Tia Neiva e formara-se assim a primeira Comunidade da Corrente Indiana do Espaço (UESB). E o tempo continuava a correr na ampulheta da vida.
Certo dia Truncado, agora chamado Tranca Rua, estava sentado no seu trono quando ouviu alguém praguejando com violência. Sabia por experiência que se tratava de algum novato recém trazido pelos Exús Caçadores. Muniu-se do seu chicote magnético e se encaminhou para o local do barulho. Lembrava-se de como fora tratado quando chegara, e seu maior prazer era aplicar pessoalmente a correção nos novatos. Ele tinha um jeito especial de chicoteá-los até convence-los.
O Espírito estava seguro pelos Caçadores e Truncado desfechou a primeira chibatada. A vítima urrou de dor e ódio e seus olhos lançavam chispas de ira impotente. Truncado ia dar a segunda chibatada, quando seu braço estancou no ar como se tivesse batido num rochedo invisível. O Espírito que estava chicoteando era do seu filho José!
A cena terrível ficou paralisada num momento de agonia. Os dois Espíritos, pai e filho, se fitavam com horror e espanto. Subitamente Truncado achou a voz e gritou em desespero: “Zezinho meu filho! Você aqui?! Não, não! Não o quero aqui! Levem-no daqui!”.
Passado o primeiro momento de surpresa os Caçadores largaram Zezinho e começaram a zombar da fraqueza de Truncado, espezinhando-o pela atitude tão diferente dos seus hábitos.
Zezinho porém aproveitou o descuido de todos e num gesto brutal e enérgico, arrebatou o chicote da mão de Truncado e passou a chicoteá-lo com ódio arrebatador!
Truncado não se defendia e Zezinho o chicoteou até ele cair sem forças. Enquanto ele batia com o terrível chicote magnético, vociferava com ódio: “Tome miserável, pelo mal que nos causou! Minha mãe se prostituiu por sua causa seu canalha! Ela foi obrigada a isso para dar de comer a mim e as minhas irmãs, suas filhas! Elas agora vão para o mesmo caminho que minha mãe, a prostituição! Tudo por sua culpa seu miserável! Mas eu disse que um dia eu o encontraria, e agora o encontrei!”
O tempo continuou a correr na ampulheta da vida.
Zezinho agora era um terrível Tranca Rua, mais feroz que seu pai.
Truncado desmoralizado no próprio reino, mas não querendo se afastar de Zezinho, tornou-se um nômade do submundo dos Exús. Cheio de ira e confuso com a cilada que a vida lhe preparara, redobrou as atividades maléficas sem cautela nem medidas. Suas estripulias puseram em sobressalto toda a região entre Anápolis e Alexânia, durante longo tempo.
Nessa época aconteceram desastres incríveis. Carros perdiam a direção sem causa aparente, e a estrada começou a ter cruzes fincadas de pessoas que desencarnavam nesses desastres. Crimes aconteciam nos sítios vizinhos da rodovia e, o consumo da cachaça aumentou nos botequins de beira de estrada.
A atmosfera da região começou a modificar-se visivelmente. Os macumbeiros aumentaram de número e as doenças tétricas varavam as noites nas várzeas e encruzilhadas.
Na Comunidade da UESB, Tia Neiva recebia as lições dos Mundos Encantados dos Himalaias, e os Médiuns se desdobravam no Serviço do Cristo Jesus.
Um dia Neiva recebeu a notícia de que estava para chegar um circo que se instalaria nas imediações da UESB. Mas não se tratava de um circo comum, desses que a gente está habituado a ver, tratava-se de um circo etérico!
De fato o Mundo Invisível da região estava alvoroçado. O circo chegou com estardalhaço, com seus palhaços, seus acrobatas e seus carros coloridos. O palhaço principal chamava-se “Remendão”.
Os Espíritos desencarnados afluíram para o circo, em massa. Depois disso desapareciam da região…
Tranca Rua-Manoel Truncado também não resistiu e foi ver o circo. Quando deu por si estava capturado pela Falange dos Centuriões! Ele urrou e ameaçou mas de nada lhe adiantou. Levado para a UESB foi sendo doutrinado e acabou por conversar longamente com Tia Neiva. Ela na sua proverbial paciência foi mostrando seu quadro espiritual e ele ali ficou. A fagulha de ódio de seus olhos foi sendo substituída pela luz baça do arrependimento. Às vezes o seu gênio rancoroso o dominava e ele dava trabalho aos Médiuns da UESB.
Por fim os Mentores, com o auxílio de Neiva, conseguiram encaminha-lo para o Canal Vermelho (5). Lá ele foi atraído para um lugar chamado Umatã, mudou sua roupagem de Exú e sua maior preocupação continuou sendo seu filho Zezinho. Na Terra, na Caverna do antigo Tranca Rua-Truncado, um outro rei impera no seu reinado de ódio, o Tranca Rua Ex-Zezinho. Sua ferocidade é maior do que era a de seu pai. O chicote magnético que fora usado pelo seu pai continuava a sibilar nas costas de outras vítimas, outros Espíritos nômades apanhados pelos Exús Caçadores.
Naquele tempo Tia Neiva sentia certa frustração no Canal Vermelho.
Na verdade, para um Espírito que conserva a consciência, a mesma consciência nos vários Planos em que penetra, a paisagem do Canal Vermelho assusta um pouco no começo.
Apesar de bonito, com seus enormes jardins, suas pontes, seus belos edifícios, sua vida complexa, sua luz cambiante de tons lilás e sua simetria, seu conjunto dificulta a sintonia. É como uma cidade criada artificialmente e cheia de truques mágicos.
Essa construção do Plano Etérico se destina a adaptação de Espíritos arraigados a formas obsessivas de idéias. Ele estabelece um clima de transição entre a concepção que alimentaram na Terra e a realidade do Mundo Invisível, da outra etapa da estrada da vida.
Tia Neiva vai com freqüência ao Canal Vermelho em sua Missão. Nesse dia enquanto aguardava a presença de seus amigos espirituais, ela observava com curiosidade as atividades em torno dela. De onde se achava via o enorme letreiro de Umatã que parecia mudar constantemente. Às vezes ela lia a palavra “Umbanda” e outras parecia que ali estava escrito “Candomblé”. Ficou a pensar no assunto até que decifrou o enigma. Tratava-se de uma forma adequada para fazer certos Espíritos que chegavam se “sentirem em casa”.
Não muito distante havia uma espécie de Templo, com letreiro onde se lia “Igreja Presbiteriana” e, pouco além havia outro Templo com aspectos nitidamente católicos.
Dessa forma os Espíritos desencarnados encontram um ambiente similar do que tiveram na Terra. Só que a realidade é bem diferente. Seja em termos Candomblé, de Umbanda, de Catolicismo, de Protestantismo ou de qualquer outra Doutrina, a direção é dos Espíritos Missionários que mostram lentamente a esses Espíritos, sua sobrevivência depois da morte terrena.
Nessa madrugada ela se encontrou com Manoel Truncado. Ele se lembrou imediatamente dela e sua primeira manifestação foi em torno de seu filho Zezinho e sua família. Neiva notou que ele ainda pensa muito em termos do Exú que foi na Terra. Embora tenha modificado sua roupagem, ele vai ao Templo Umatã como ia aos terreiros da Terra. Ela tem uma pena imensa desse Espírito e o ajuda sempre que pode.
Eram quase cinco horas da manhã quando ela voltou para a Terra. Preocupada com a promessa feita a Manoel Truncado ela procurou ver Zezinho. Mas não conseguia vê-lo com sua roupagem de Exú; a única coisa que conseguiu captar em sua Visão Espiritual, foi a figura de um menino de sete anos, esperando o pai para lhe ensinar a lição da escola…
Com carinho,
A Mãe em Cristo.
Tia Neiva

Notas do Texto
Caro leitor:
Para a Doutrina do Amanhecer o Exú é conhecido como um Sofredor, um Espírito desencarnado, que continua ativo no Plano Invisível da Terra.
Ensina-nos nossa Clarividente Neiva que se torna Exú, habitualmente, o homem de personalidade ativa, orgulho intelectual e que seja demasiado apegado às coisas da sua alma, da vida transitória. Seguindo a Doutrina do Mestre Jesus ele merece todo nosso amor e tolerância.
Isso não significa, necessariamente, que precisemos de seus serviços ou nos subordinemos a eles. Os Exús têm seus reinados nas sombras etéricas e agem como todas as forças destrutivas; não criam mas apenas transformam as energias. Não sendo criadores de forças e não tendo acesso às fontes de energias puras, eles necessitam de uma fonte: essa fonte é o ectoplasma humano, seja de Espíritos encarnados ou desencarnados.
Essa é a razão básica dos engodos que eles estabelecem, como base do relacionamento com os encarnados. Sempre que o homem abandona a iluminação Crística, a luz do Amor, da Tolerância e da Humildade, ele fica sujeito às influências desses tipos de Espíritos. Esse é o envolvimento daqueles que praticam as magias com intenções somente humanas e se colocam como juízes do bem e do mal. Resumindo: o relacionamento com os Exús somente se faz, em termos de troca de serviços, quando as intenções são da alma e não do Espírito: quando a orientação não é a do Cristo Jesus.
Salve Deus!

  • Bandidos do Espaço – São Espíritos desencarnados que se tornaram delinqüentes. Embora eles andem em bandos, não formam “Falanges”, isto é, não seguem uma norma, uma bandeira ou finalidade específica como a maioria dos Espíritos. Eles se comprazem em fazer mal sem uma finalidade em si. Por essa razão eles são duplamente perigosos, pois nunca se sabe o que vai em suas mentes maldosas.
  • “Vendido ao Terreiro” – Como na organização física, o mundo invisível vive da força, da energia individual. Os Terreiros são organizações de relacionamento entre o Plano Invisível e o Físico. Quanto mais Espíritos são escravizados pelos Exús, maior é sua força de trabalho.
  • Exús Caçadores – São Espíritos pertencentes a alguma Falange de Exús, que se especializam em seduzir e se apossar dos Espíritos desprotegidos, que se recusam a aceitar seus destinos cármicos; verdadeiros nômades do Mundo Invisível.
  • Cavernas – São as habitações etéricas dos Espíritos que operam em contato íntimo com a superfície física. Sendo Etéricas, elas não ocupam espaço físico mas permanecem sempre no mesmo “lugar”, e se tornam perceptíveis pelo ambiente que formam em torno de si.
  • Canal Vermelho – Posto de Socorro do Plano Etérico. Cidade Intermediária onde os Espíritos permanecem em aprendizado até o máximo de 7 anos.

INCORPORAÇÃO

A incorporação é o fenómeno pelo qual uma entidade utiliza um médium em toda sua totalidade, isto é, seu cérebro, sua coordenação motora, sua voz, seus gestos, para se comunicar. Tanto pode ser um Espírito de Luz como uma poderosa entidade das Trevas, um sofredor ou um obsessor. Nos trabalhos do Templo, as incorporações são controladas pela força de IFAN (*), o Cavaleiro Ligeiro.
A energia de incorporação se projeta no plexo solar ou Sol Interior (*) do médium Apará e se escoa pelos chackras umerais (*), onde se aplica o passe magnético para eliminação de resíduos após uma incorporação.
Existe muita discussão em torno da veracidade desse fenómeno, principalmente por parte de pessoas que se dizem doutoras em Bíblia e alegam não ser esta uma manifestação dos santos espíritos.
Como poderíamos interpretar, então, o que descreve Isaías (XX, 2): “Naquele tempo, falou o Senhor por intermédio de Isaías, filho de Amós” e, também, Ezequiel (II, 2): “E o espírito entrou em mim, depois que me falou e me pôs em pé, e ouvi o que ele dizia” senão como puros exemplos de incorporações?
Na nossa Doutrina, o médium de incorporação é o Apará (*), que pode ser consciente ou semiconsciente. É muito difícil, raro mesmo, aquele que é inconsciente.
A faculdade mediúnica é força própria, individual, e cada um a pratica à sua própria maneira, sendo responsável pelos seus atos mediúnicos e sabendo que seu corpo lhe pertence. Nenhum espírito - de Luz ou Inluz - usará o corpo de um médium sem a permissão deste. Mesmo em casos aparentemente sem o conhecimento do médium, uma permissão é dada pelo seu subconsciente, movido pelo amor incondicional, para acontecer a manifestação.
A percepção do médium, sua sensibilidade e seu magnético animal controlam sua incorporação e isso ocorre de forma tão refinada e discreta em alguns casos que é confundida com inconsciência.
A incorporação é acompanhada da vibração do espírito que incorpora, e por ela o Doutrinador sente como deve agir, e caso se trate de um irmão Inluz, como fazer a sua doutrina e o momento preciso de fazer sua elevação. Da mesma forma que Deus permite as comunicações de espíritos elevados, para nos orientarem e instruir, permite aquelas de  espíritos sem Luz, que procuram nos induzir aos erros e às mentiras, testando nosso amor e nossa confiança na Doutrina. Em muitas ocasiões, nos Tronos, um espírito Inluz incorpora e passa a agir e falar como se fosse um Mentor. O Doutrinador, atento e harmonizado, vai sentir a diferença, e só lhe cabe fazer a elevação daquele espírito.
Na 1a. Epístola de João (IV, 1) nos é dito: “Caríssimos, não creiais a todo espírito, mas examinai se os espíritos são de Deus, porque são muitos os falsos profetas que se levantam no mundo!” Com isso, nos alerta para que, especialmente os Doutrinadores, devidamente mediunizados, possam  estar certos de com quem estão lidando. Por ação de irmãos das Trevas podem ocorrer mistificações, o que geralmente é alheio à vontade ou controle do médium de incorporação. Por isso o Doutrinador deve estar mediunizado e alerta para lidar com espíritos dessa natureza, com caridade e compreendendo que aquele irmão deve ser tratado com muita sinceridade e muito amor, aplicando-lhe uma doutrina equilibrada e emanando paz e compreensão, até sentir o momento preciso para fazer a elevação.
Existem muitos casos de incorporações descontroladas, pois é um fenómeno milenar e poucos os que se preocupam em aprimorar suas faculdades mediúnicas, disciplinando a manifestação dos espíritos.
A maioria de brigas e violências são frutos de incorporações descontroladas, ação de espíritos das Trevas que se manifestam em condições propícias em bares, presídios, festividades e movimentos que envolvem muitas pessoas, descontrolando seus participantes e os envolvendo em sangrentos conflitos, de onde aqueles espíritos sugam o fluido magnético animal que os alimenta e dá força.
O Apará - médium com seu plexo iniciático -, por seu amor, por sua Doutrina, por sua consciência, age de acordo com sua força mediúnica, mas temos que considerar que também é influenciado pelas vibrações do ambiente em que está, com sua percepção captando desequilíbrios da mente do Doutrinador e de outras pessoas presentes, e tudo isso é que lhe dará as condições de sua incorporação. Sabemos que essas condições  variam de momento a momento, e não podem ser aferidas a não ser quando se efetiva a incorporação. O Apará sabe, sente, as nuanças da incorporação. Cabe ao Doutrinador aprender, também, diferenciar entre as comunicações puras, a Voz Direta, ou mesmo os sinais do estado do espírito incorporado, daquelas que expressam apenas o espírito do próprio Apará.
Tia Neiva nos ensinou que o Doutrinador é o único responsável pela interferência numa comunicação de um Apará, pois tem que estar sempre alerta para evitar as mensagens truncadas que possam ser atribuídas a um Preto Velho, gerando sofrimentos e angústias.
Na I Epístola aos Tessalonicenses (V, 20 e 22), Paulo adverte: “Não desprezeis as profecias. Examinai tudo: abraçai o que é bom. Guardai-vos de toda aparência de mal.”  Em nossa Doutrina aprendemos a não confiar nas comunicações (*) até termos a certeza da verdadeira natureza daquele espírito incorporado, e os perigos das previsões (*).
No Trono Milenar podemos exercitar nosso amor, nossa doutrina e nossa sensibilidade aprende a diferença entre as vibrações de um espírito de Luz e as de nossos irmãos das Trevas. Isso é válido tanto para o Apará como para o Doutrinador, para irem sabendo a diferença das incorporações.
Um grande exemplo dessa variação vibratória das incorporações é a de Pai Seta Branca. O Apará, mesmo veterano e equilibrado, precisa passar por uma preparação, que denominamos cultura, para que seu plexo vá se preparando para tornar seu ectoplasma refinado, a fim de receber a poderosa energia, evitando, assim, choques e desequilíbrios decorrentes desta grandeza, tornado-o apto ao trabalho no Oráculo e na Bênção.
Os médiuns Aparás, de 16 aos 18 anos, não podem trabalhar em locais onde haja comunicação (Tronos, Alabá, Angical, etc.).
Para facilitar nosso estudo, fizemos, em separado, observações sobre interferências, obsessor, cobrador, Pretos Velhos, Povo das Águas, Caboclos, etc.

·     “Forçar a incorporação de um médium é virar uma página e limitar a sua lição. A faculdade mediúnica é força própria, individual. Cada um a acumula à sua maneira. O médium que não dá sua própria mensagem é um falso profeta!”  (Tia Neiva, s/d)

·     “Não é justo, filho, depois da incorporação, ficar em dúvida: Será que incorporei? Será que foi o Preto Velho ou o Caboclo? Não foi somente uma impressão minha? Isso é triste para os nossos Mentores, que se apressam para que saia tudo com a precisão do Espírito da Verdade.
Trata-se de um conjunto, de um ritmo de aparência de encantos, de energia.
Não podemos designar este sentimento de amor. É o coroamento das virtudes, é muito mais científico do que pensamos. 
Quando solicitada uma incorporação, uma enorme e complexa força se faz em nós.
Seriam bastantes os cruzamentos destas forças para a cura desobsessiva, quanto mais que sabemos da presença de Caboclos e Pretos Velhos.”  (Tia Neiva, 8.4.79)